Em maior ou menor grau, todo mundo se sente atingido pelo julgamento que outras pessoas fazem a nosso respeito, e também por ofensas, mesmo as mais infundadas. Creio que essa é uma questão comum a todas as pessoas. Vamos investigar como esse sentimento se manifesta e o que está por trás dessa preocupação com os pensamentos dos outros.
O medo do julgamento vai influenciar a nossa vida em todos os aspectos: relacionamentos (quem você escolhe como companheiro/a), profissão (qual se deve seguir), modo de vestir, falar e agir, amizades.
Neste exato momento, estou escrevendo esse texto e surgem vários pensamentos: “Será que as pessoas vão gostar? Será que vão achar um texto comum demais sem nada a acrescentar? Tem gente que vai achar uma bobagem...” Este medo está agora mesmo influenciando a minha forma de escrever. Em um passado recente o medo que eu tinha era tão intenso que me travava, não me permitia escrever ou expor minhas idéias. Depois de aplicar bastante EFT, as coisas mudaram. Ainda bem.
Vou contar um caso que atendi há um tempo atrás para ilustrar a ligação entre a autoestima e o impacto do julgamento.
Era um cliente bastante inteligente e bem sucedido profissionalmente. Haveria uma votação no seu trabalho para decidir a respeito de uma reforma no local. Havia duas opções de projeto: planta “A” e planta “B”. Por isso foi convocada uma reunião. Estava ele na reunião defendendo a planta “A”. Um outro colega que defendia a planta “B”, de uma forma ríspida, falou que ele (o meu cliente) era egoísta, que só estava pensando nele mesmo ao defender o projeto “A”. Falou que o projeto “B” beneficiava mais pessoas e etc. e que quem acatasse os argumentos do meu cliente e votasse na planta “A” também seria egoísta.
Essa acusação lhe casou bastante inquietação, começaram a surgir vários pensamentos: “não é possível, fulano pensa que sou egoísta, apenas defendi uma opinião e ele me acusou dessa maneira”. O pior é que ele perdeu a argumentação e quem venceu a votação foi o projeto “B”. Isso lhe causou ainda mais inquietação: “será que os outros também pensam que sou egoísta? Logo eu que gosto da ajudar as pessoas, que faço um trabalhos voluntários e etc..., vou ficar desconfortável ao encontrar essas pessoas nos corredores e elevador, na reunião de fim de ano, o que será que eles estão pensando a meu respeito?”
É importante ressaltar que o meu cliente disfarçou muito bem o desconforto, e ninguém percebeu como aquilo o havia afetado. Mas aqueles pensamentos causaram-lhe raiva, vontade de convencer os outros, medo, vergonha, angustia, e até insônia. E é assim com a maioria das pessoas. A gente nem imagina o que se passa na cabeça delas... estão ali na sua frente, muitas vezes bem vestidas, imponentes e aparentando ter grande autoconfiança, quando na verdade estão carregando inquietações que ninguém imagina.
A única coisa que podemos ter certeza, é que nunca vamos ter certeza da opinião dos outros a nosso respeito. Ao invés de relaxar e deixar cada um pensar o que quiser, caímos na armadilha de ficar preocupados querendo adivinhar o pensamento alheio.
Mas de onde vem essa preocupação?
Primeiro, queremos ter uma imagem de “boa pessoa”. Incomoda o fato de alguém pensar que somos desonestos, fúteis, egoístas, mau caráter... E aí vem uma inquietação pois queremos desfazer a imagem. Como não é possível mudar nem adivinhar o que se passa na cabeça do outro, ficamos com raiva e angustiados. Algumas pessoas entram no jogo de querer provar a todo custo, de confrontar o outro, de falar mal por trás para se defender, o que normalmente traz mais confusão e tem efeitos negativos.
Segundo, temos pontos negativos na nossa autoestima. Se tivermos a certeza absoluta de quem somos, porque se preocupar com a opinião alheia? É porque muitas vezes, na verdade, não sentimos segurança a nosso respeito. Se alguém fala que eu sou incompetente, quanto mais inseguro eu for com relação a minha competência, mais a acusação irá me atingir. Se eu me sinto plenamente confiante, é provável que eu venha a rir da ofensa.
Terceiro, quando a acusação ou ofensa é realmente verdadeira, temos dificuldade em assumir nossos erros e defeitos. E isso causa raiva, angustia, vontade de revidar, vergonha, vontade de provar o contrário.
É interessante que podemos nos afetar até mesmo por pessoas que nem conhecemos. Quantas vezes no transito isso acontece. A pessoa é xingada por outra que nunca viu, e fica com raiva, leva aquele desconforto pra casa remoendo o ocorrido. Até mesmo crimes acontecem por não se suportar a dor de uma ofensa. Haja autoestima baixa.
Certa vez soube de uma colega que estava comemorando seu aniversário em um bar com os amigos. Chegou um ex namorado que não fora convidado e que não queria aceitar o termino do relacionamento. Ele começou a xingá-la de vários nomes que não desejo publicar na minha newsletter.
O resultado disso? Ele foi expulso do bar, mas ela também foi embora chorando, com muita raiva e vergonha. Obviamente que ela sabe que o desajustado é ele. Mas ele conseguiu exatamente o que queria, que era ofendê-la e desestabilizá-la emocionalmente. Racionalmente seria muito fácil pensar: “esse cara tem sério problemas, vou esperar ele ser expulso e vou continuar aqui curtindo com meus amigos.” Mas não é isso que ocorre na maioria das vezes, e tudo isso por fragilidades que carregamos na autoestima.
Entender o que se passa racionalmente nesses processos emocionais é importante, mas não é tudo. Muitas vezes, entendemos intelectualmente que nossa reação emocional é inútil. Mas, mesmo assim, não deixamos de sentir o desconforto. Por isso que a EFT é uma ferramenta tão importante. Conseguimos limpar a emoção negativa do nosso sistema energético, trazendo alivio e paz interior na hora da aplicação. Toda emoção negativa se apresenta como bloqueio de energia nos meridianos (canais por onde flui a energia do corpo) de acupuntura. A técnica permite desbloquear a energia, e a conseqüência disso é a eliminação do sentimento negativo.
E foi através da EFT que tratei o cliente citado no artigo. Utilizei várias frases durante o processo para que fosse eliminado o sentimento. Vou colocar alguns exemplos:
- Mesmo que fulano me ache egoísta, eu me aceito profunda e completamente
- Mesmo que eu me sinta angustiado com a opinião dele a meu respeito, eu me aceito...
- Mesmo eu não consiga provar o contrário...
- Mesmo que eu sinta raiva da opinião dele...
- E mesmo que eu seja egoísta de vez em quando...
- Mesmo que eu não saiba a opinião do restante dos colegas...
- Mesmo que eles me achem egoísta...
- Mesmo que eu não consiga ter a imagem que eu gostaria pra todo mundo...
No final da sessão, o que ele relatou foi um sentimento de paz, de não sentir mais qualquer incomodo ao pensar na acusação que lhe foi feita. Sentiu ainda uma confiança maior em si mesmo, um sentimento de certeza e consciência tranqüila que havia defendido a melhor idéia. Você pode usar a EFT para se libertar cada vez mais da prisão interior que é a preocupação com a opinião alheia.
André Lima |